.::. Este artigo é uma sequência de:
1) O romance do nascimento de uma estrela.
2) Sendo uma estrela, posso agora queimar hidrogênio.
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“O grande mistério do Universo é sua compreensibilidade.”
Albert Einstein
.::. A finda estrela ainda luta… reluta, “transmuta”. Tão incessantemente que seu núcleo ainda prevalece contra as forças monstruosas. Implacáveis. Grande parte de sua massa é ejetada no espaço cósmico como jatos de lava quente que são expelidas por um grande vulcão em fúria. Isso aindá é pouco. A uma velocidade de aproximadamente 30 km/s, essa matéria ejetada é incandescente e brilha no espaço interestelar, devido à intensa radiação ultravioleta emitida pelo corajoso núcleo, radiação esta que rasga ferozmente os átomos dos excluídos.
.::. A nudez da estrela é revelada. Um núcleo extremamente quente e denso ainda resiste à sua auto-flagelação. Ele brilha, brilha e brilha ainda como um último suspiro de paixão e dor. Um espetáculo de cores é formado pelos gases incandescentes. É um dos eventos cósmicos mais espetaculares que seres tão ínfimos e insignificantes como nós poderíamos presenciar. É um presente divino. Uma dádiva. Um sonho. Está formada uma nebulosa planetária.
.::. Mas, sua magnífica beleza tende a perecer. Após cerca de repletos 5 mil anos de bênçãos, os gases estão completamente dispersos no espaço. Neste doloroso período de tempo, o núcleo da estrela ainda reluta e fatiga-se, em incansáveis reações termonucleares. A temperatura não é suficiente para que ele se farta dos resíduos de carbono de oxigênio provenientes da queima do hélio. Com praticamente todo seu material ejetado no espaço, e com pouco alimento atômico, a estrela sabe que finalmente irá glorificar-se como uma digna estrela que brilhou maravilhosamente durante bilhões de anos.
.::. Todo o universo está em silêncio e temeroso, receando pela morte de um dos mais belos espetáculos criados por ele. Anjos prostram-se diante do fatídico fim. As pressões geradas pelos elétrons degenerados estão extremamente fracas. A gravidade ainda é implacável, e amassa o núcleo sem misericórdias. Os espaços entre os átomos são contraídos ferozmente. A densidade da estrela é violentíssima, cerca de 1 milhão de gramas por centímetro cúbico. Uma colher de chá de matéria desta estrela possui uma massa implacável de 1 tonelada. A temperatura está diminuindo drasticamente. O combustível está se exaurindo. Eis que a estrela lentamente fecha seus olhos de vaidade. Como um floco de neve no espaço, a estrela padece. Eis que seu túmulo constitui uma estrela anã-branca.
.::. Resta uma ínfima energia que permite o simplório brilho estelar navegar pelo espaço ainda por alguns bilhões de anos. Eis que aquela magnífica estrela em glórias divinas, que brilhava impetuosamente, agora é apenas um ponto branco no espaço. Mas, sua glória está extinta. Seu tamanho assemelha-se a de um planeta vulgar, como a Terra. Ela apenas dorme, aguardando em sonhos sua esmera morte. Até que um dia esta chega, mansa e casta, acolhedora e sutil. Seu brilho cessa. Surge uma anã-negra. Apenas mais um milagre do Universo…
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